Apenas 4.500 pessoas foram diagnosticadas com a Doença de Fabry do Brasil. Apesar de sua baixa prevalência, tomar conhecimento sobre esta condição pode salvar vidas.
Médicos, pacientes e familiares devem aprender a reconhecer os sintomas e, havendo suspeita, iniciar processo de diagnóstico, que envolve testes enzimáticos e genéticos.
Entre os principais sintomas da doença de Fabry estão: dor e sensação de queimação nos pés e mãos, problemas de pele, disfunções renais e cardíacas, complicações neurológicas, entre outros.
Fabry é uma doença rara e genética, causada pela deficiência de uma enzima chamada alfa-galactosidase A.
Essa enzima é essencial para a degradação de substâncias gordurosas chamadas globotriaosilceramida (Gb3) nos lisossomos, organelas celulares responsáveis pela digestão de resíduos.
A deficiência dessa enzima leva ao acúmulo de Gb3 nos tecidos, provocando uma série de sintomas que impactam a qualidade de vida dos pacientes.
No Brasil, a prevalência da doença de Fabry é de cerca de 1 em cada 40.000 a 60.000 pessoas (Brazilian Journal of Nephrology (BJN)). Estimativas sugerem que aproximadamente 4.500 pacientes possuem a doença - muitos ainda sem conhecimento disso.
A falta de familiaridade com a doença e aos sintomas variados que podem confundir o diagnóstico, fazendo com que muitos casos possam estar subdiagnosticados.
A subnotificação é um grande desafio, pois o diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado da doença e para evitar complicações graves, como problemas renais, cardíacos e neurológicos. No entanto, iniciativas de triagem em populações de risco, como pacientes em diálise ou com hipertrofia miocárdica inexplicada, têm mostrado que é possível detectar um número significativo de novos casos, o que ajuda a melhorar a conscientização e o tratamento da doença no país.
A Doença de Fabry é causada por uma mutação no gene GLA localizado no cromossomo X. Essa mutação resulta em uma produção insuficiente ou inexistente da enzima alfa-galactosidase A.
Sem essa enzima, as células não conseguem quebrar as moléculas de Gb3, que se acumulam nos lisossomos de várias células do corpo, incluindo as células endoteliais, renais, cardíacas e neuronais. O acúmulo de Gb3 leva a disfunções celulares e, eventualmente, danos aos tecidos e órgãos.
Os sintomas da Doença de Fabry são variados e podem se manifestar de forma diferente em cada indivíduo, com a gravidade e o início dos sintomas variando amplamente. Alguns dos sintomas mais comuns incluem:
Muitos pacientes experimentam dores intensas e sensação de queimação nas mãos e nos pés, uma condição conhecida como acroparestesia. Esses episódios dolorosos podem ser desencadeados por estresse, atividade física ou mudanças de temperatura.
A angioceratoma é uma lesão cutânea característica da Doença de Fabry, que aparece como pequenas manchas vermelhas ou roxas, geralmente encontradas no abdômen e nas coxas. Além disso, muitos pacientes também apresentam hipohidrose, uma redução na capacidade de suar, o que pode levar a dificuldades na regulação da temperatura corporal.
O acúmulo de Gb3 nos rins pode levar a proteinúria (excesso de proteína na urina) e, eventualmente, à insuficiência renal, necessitando, em muitos casos, de diálise ou transplante renal.
Os depósitos de Gb3 no coração podem causar hipertrofia ventricular esquerda, arritmias, insuficiência cardíaca e outros problemas cardiovasculares graves.
Pacientes podem sofrer de acidentes vasculares cerebrais (AVC) prematuros e outros distúrbios neurológicos devido ao acúmulo de Gb3 nos vasos sanguíneos cerebrais.
Alguns pacientes relatam sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia e náuseas, que podem ser causados pelo acúmulo de Gb3 nas células do sistema digestivo.
O diagnóstico da Doença de Fabry geralmente é desafiador devido à variabilidade dos sintomas. Os métodos comuns de diagnóstico incluem:
A dosagem da atividade da enzima alfa-galactosidase A no sangue ou nas células da pele pode confirmar a deficiência enzimática característica da Doença de Fabry.
Os testes de DNA podem identificar mutações no gene GLA, confirmando o diagnóstico. Esses testes são particularmente importantes para o diagnóstico de familiares de pacientes, permitindo a identificação de portadores assintomáticos.
Em alguns casos, pode ser realizada uma biópsia para detectar o acúmulo de Gb3 nos tecidos.
Atualmente, não há cura para a Doença de Fabry, mas existem tratamentos que podem ajudar a controlar os sintomas e prevenir complicações graves. Os principais tratamentos incluem:
A TRE é o tratamento mais comum para a Doença de Fabry, onde pacientes recebem infusões intravenosas de uma enzima recombinante que substitui a enzima deficiente. Isso ajuda a reduzir os níveis de Gb3 nos tecidos e melhora muitos dos sintomas.
A TRS visa diminuir a produção de Gb3 no organismo, ajudando a prevenir seu acúmulo. Este tratamento é particularmente útil para pacientes que não podem tolerar a TRE.
Pacientes podem necessitar de tratamentos específicos para manejar sintomas individuais, como medicamentos para a dor neuropática, diálise para insuficiência renal, e intervenções cardíacas para problemas cardiovasculares.
Devido à variedade de sintomas e complicações associadas, o manejo da Doença de Fabry geralmente requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo nefrologistas, cardiologistas, neurologistas, dermatologistas e outros especialistas.
Os sintomas são diversos e recorrentes há mais de 6 meses.
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